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Como seria o mundo se fôssemos mais empáticos?

Você já pensou em viver por um tempo a vida de alguém, experimentar como alguém diferente de você se sente?

Da Redação

O Museu da Empatia é o primeiro espaço de artes experienciais do mundo, um projeto internacional itinerante que já percorreu o Reino Unido, a Austrália, os EUA, a Bélgica e também já esteve no Brasil, em São Paulo.

O fundador do museu é o australiano radicado em Londres Roman Krznaric, conhecido por desenvolver trabalhos ligados a um tema essencial nos dias de hoje: a empatia.

Roman criou o museu em 2015, com a curadoria de Clare Patey, para estimular um mundo com pessoas menos individualistas e egocentradas.

Ele é filósofo, autor de “O Poder da Empatia”, que já foi publicado em mais de 20 idiomas, e mergulhou de cabeça nesse tema quando descobriu, a partir de estudos diversos, que os níveis de empatia haviam caído mais de 50% nos Estados Unidos – o que não deve ser diferente em outros países. Isso o levou a partir para a ação.

Segundo ele, a ideia do museu é “criar um espaço de experiências dedicado a desenvolver nossa capacidade de olhar o mundo através dos olhos de outras pessoas”. Por meio de projetos participativos, situações de diálogo e conexão entre as pessoas, o museu busca explorar como a empatia pode transformar nossas relações interpessoais, inspirar mudanças de atitude e contribuir para o enfrentamento de desafios globais como preconceito, conflitos e desigualdade.

Sendo uma habilidade que pode ser aprendida e exercitada, a empatia favorece novos olhares, crescimento, mudança de paradigmas e inclusão.

A partir da expressão inglesa “to walk a mile in someone’s shoes” (caminhar com os sapatos de alguém) foi criada uma primeira experiência itinerante para que as pessoas estejam no lugar do outro e vejam o mundo com os olhos dessa pessoa.

Em São Paulo, a exposição interativa do Museu da Empatia aconteceu em novembro de 2017 no Parque do Ibirapuera, com a parceria do Intermuseus. As pessoas escolhiam aleatoriamente uma caixa de sapatos, sem conhecer previamente informações a respeito do dono ou da dona desses calçados, a não ser o primeiro nome, e depois recebiam um fone de ouvido com depoimentos das personas donas de cada par.

Os visitantes também tinham a chance de andar por dez minutos com os sapatos de um dos 25 brasileiros que compartilharam suas histórias de vida, enquanto escutavam pelo fone de ouvido o depoimento da pessoa. O objetivo era captar questões sociais, de desigualdade, de lutas, superações e preconceitos, além de abordar conceitos como amor e resistência. Uma experiência única aos visitantes.

“A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, só fica atrás do amor.” A frase é da professora canadense Anita Nowak, outra apaixonada pelo tema e sobre como esse sentimento pode mudar a sociedade. Segundo pesquisa desenvolvida por ela na Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, o Brasil não é dos países mais empáticos do mundo. Somos conhecidos pela alegria e pela hospitalidade, mas quando falamos em se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente, ainda estamos muito longe do ideal.

O estudo analisou respostas de um questionário aplicado em 61 países, com 104 mil pessoas, que tentava medir compaixão e empatia em situações hipotéticas. O Brasil ficou em 51º na lista, atrás de países como o Equador, Arábia Saudita, Peru, Dinamarca e Emirados Árabes, por exemplo.

Para a pesquisadora Anita Nowak, a empatia é a chave para a sobrevivência da raça humana. Em tempos tão intolerantes, o exercício de se colocar no lugar do outro evitaria maiores problemas. “Infelizmente, como seres humanos cheios de falhas, nossa tendência é empatizar com pessoas parecidas conosco”. Assim, desconhecidos em outras situações inspirariam menos empatia. É algo que deve ser superado se quisermos nos libertar da mentalidade “nós contra eles”, muito presente na sociedade hoje. “Se aprendermos a empatizar melhor uns com os outros podemos conseguir a paz”, acredita. Anita enfatiza que é preciso agir. Só sentir empatia é insuficiente, precisamos colocá-la em ação e deixá-la nos transformar.

Para mais detalhes sobre o Museu da Empatia acesse https://www.empathymuseum.com/